O ponto
- Escrito por Argentino
- Seja o primeiro a comentar
Ah, leitor, leitor... Pensei em começar essa crônica descrevendo o clima belíssimo daquela manhã. É bem mais fácil começar uma crônica assim. Dizer das flores que pendiam dos galhos do frondoso ipê-roxo, onde várias abelhinhas labutavam, incansáveis. Dizer do sol da aurora que irradia o frontispício da igreja, onde algumas senhoras já se encontravam, rogando fervorosas pelo perdão divino. Dizer do vento tépido que balançava os galhos das árvores e que dificultava bastante o vai-e-vem das trabalhadoras da colmeia. Mas aquilo me fez refletir profundamente. Quão irônica é a natureza para fazer isso: trazer algo tão lúgubre em belas manhãs de clima fresco e agradável. No entanto, a bem da verdade, só eu percebi a ironia. Digo isso pela feição das pessoas ao redor que nem se quer saíram da marmórea emburrice que estavam. Pessoas de manhã não sabem apreciar a beleza daquele clima. São sempre emburradas








